segunda-feira, 26 de outubro de 2009

John Coltrane - A Love Supreme (1964)



John Coltrane é um dos músicos mais cultuados e influentes de Jazz de todos os tempos. Sua carreira começou nos anos 50, quando foi convidado para tocar com Miles Davis, famoso trompetista de Jazz. Em 1960, Coltrane formou seu primeiro grupo em que ele participava como líder, e a partir dai ele lançou vários discos que fizeram história.

"A Love Supreme", de 1964, é considerada a sua obra prima, em que ele concilia estilos como o Hard Bop do inicio de sua carreira, com o Free Jazz que ele desenvolveria mais tarde. O quarteto que toca nesse disco é composto por Coltrane no Sax Tenor, McCoy Tiner no piano, Jimmy Garrison no baixo e Elvin Jones na bateria. O disco possui ao todo 4 faixas:

Aknowledgement: Essa faixa começa já com Coltrane solando, enquanto a base é construida em cima dos acordes dissonantes no piano, e a bateria se movimenta de forma aparentemente livre, então lentamente, Coltrane começa a executar um "refrão" no sax, e depois o larga para repetir o mantra "A Love Supreme", até a estrutura da "canção" se desfazer.

Resolution: Inicia com um pequeno solo de baixo, para entao entrar o resto da banda, com o sax tocando o melódico tema da composição. Ele se silencia, deixando o pianista solar sobre o ritmo complexo e ao mesmo tempo swingado da cozinha da banda. Logo, Tiner começa a tocar acordes dissonantes e Coltrane volta a cena, soprando seu sax num estilo atonal, e assim segue até o fim da faixa.

Pursuance:
Um improviso de bateria, e então a banda entra em cena, com a cozinha tocando de forma improvisada, o piano soltando notas dissonantes, e o sax tocando o tema. Então Coltrane se cala para deixar mais uma vez o pianista falar, solando ao mesmo tempo que constroi uma "cama" com seus acordes aparentemente aleatórios, porém de uma forma que soa muito harmônica. A bateria dá o ritmo rápido da música. Coltrane com seus discursos novamente, e dialoga com a bateria de forma extremamente enérgica. Depois de alguns minutos de dialogo entre os dois, Coltrane volta a repetir o refrão da música, e o baterista executa viradas furiosas, para então toda a banda se acalmar brevemente, sobrando apenas a bateria, com suas viradas rápidas e cheias de técnica, e o baixo tocado de forma livre, que logo fica em primeiro plano quando a batera se silencia, finalizando os 10 minutos dessa que é a faixa mais comprida do álbum, mas que não é nada cansativa, a menos que tu não tenha fôlego pra acompanhar a banda.

Psalm: A última faixa do disco é a mais calma, começa com tambores rufando como num ritual religioso oriental, enquanto Coltrane "declama" um poema seu que aparece no encarte do disco. Ele "declama" o poema no sax, fazendo o caminho inverso dos beatniks como Jack Kerouac, que pretendiam fazer seus escritos soarem como Jazz. Enquanto a bateria constroi uma atmosfera mistica, junto com as notas "flutuantes" do piano, o sax é soprado de forma relaxada e melódica, em comparação com as outras faixas do disco. Essa musica possui um clima religioso muito forte, como o próprio título insinua (Psalm = Salmo), um tema que Coltrane ainda iria desenvolver mais enquanto ficava mais velho e caminhava mais em direção ao Free Jazz. Nos seus minutos finais, coltrane chega a um discreto extase, como uma breve iluminação, e o disco acaba de forma discreta e silenciosa.




1964 - A Love Supreme

1. Pt. 1: Aknowledgment
2. Pt. 2: Resolution
3. Pt. 3: Pursuance
4: Pt. 4: Psalm

DOWNLOAD


Não é necessário dizer como eu acho esse disco foda. Baixem essa porra.

Como não existe nenhum vídeo (pelo menos eu não achei), da única performance ao vivo desse album, então eu deixo aqui um vídeo da época em que Coltrane tocava sax no grupo liderado por Miles Davis. Aí eles aparecem executando "So What", a primeira faixa do clássico album de Davis, "Kind of Blue":



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Bom galerinha, esse texto na real foi reciclado do antigo blog "The Factory of Andy Warhol". Eu resolvi postar ele no pop culture porque hoje eu vi o vinil de A Love Supreme para vender na livraria Cultura. Por 80 reais. Aceito doações.

Pretendo postar textos novos por aqui em breve. That's it.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Em Família (filme de 1970)

Semana passada foi o aniversário de 150 anos de Fernanda Montenegro, acho que todos sabem quem é ela. Além do trabalho na TV e no cinema ela é considerada uma das maiores divas do teatro nacional.
Sexta-feira eu vi o filme Em Família de 1970. O longa conta a história de um casal de idosos (Dona Lu e Seu Souza) que são obrigados a deixar a casa onde viveram durante vários anos. O que faz o filme girar e exatamente isso: Onde os velhos vão ficar? Apesar de terem 5 filhos nessas horas ninguém pode ajudar, afinal cada um está preocupado demais com sua própria vida e qualquer mudança na rotina é aterrorizante. Partindo desse foco central, a narrativa vai revelando aos poucos os problemas particulares de cada filho, cada família envolvida. E os velhos são tratados como um fardo que ninguém quer carregar.
Além de Fernanda Montenegro o filme trás Procópio Ferreira e Odete Lara no elenco.



Escrito por Rafael Franco

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

olhos puxados.

O cinema oriental não serve apenas como fonte para refilmagens como O Grito e O Chamado, e que isso fique claro. Há muita coisa boa vinda de lá. E não é só hoje que isso acontece.
Essa semana vi 2 filmes do Akira Kurosawa que é considerado o maior ícone do cinema japonês. Vi Os Sete Samurais (1954) que é considerado sua obra-prima e conta a história de uma aldeia de lavradores ameaçada por ladrões, os sete samurais do título se dispõem a proteger a aldeia em troca de comida. Vi também Darsu Uzala (1975) (ganhador do Oscar de filme estrangeiro) que conta a história de um explorador (líder de uma expedição de levantamento topográfico na Sibéria) do exército russo, que é resgatado na Sibéria por um camponês mongol (Dersu Uzala) que serve de guia para o militar russo, dando início a uma forte amizade. Quando o explorador decide levar o caçador para a cidade, seus costumes se confrontam de forma esmagadora com o modo de vida burocrático na cidade, fazendo-o questionar diversos padrões da sociedade. Achei muito interessantes ambos os filmes, mas prefiro o Darsu Uzala cheio de imagens grandiosas sendo mostradas através de uma fotografia sensível. Ambos são cheios de lições, cheios de frases que parecem terem saídas de provérbios.


O irônico é que Akira Kurosawa nunca teve seu trabalho reconhecido em seu país de origem, mesmo colecionando prêmios do Oscar, do BAFTA, do Festival de Veneza do Festival de Berlim, e do tão aclamado Festival de Cannes.

Conheço também o trabalho de alguns diretores contemporâneos que fazem um trabalho de alto nível (hummmm) :

O chinês Wong Kar-Wai que com seu ritmo lento e sua fotografia certeira explora os dramas humanos e exalta a beleza feminina.
Indico: Felizes Juntos (Happy Together,1997), Anjos Caídos (Fallen Angels,1995) e o primeiro filme do cineasta em inglês Um Beijo Roubado (My Blueberry Nights, 2007) que tem no papel principal a cantora Norah Jones.

O sul-coreano Park Chan-Wook que é considerado o Quentin Tarantino da Ásia. Indico a trilogia sobre vingança, onde o diretor explora a violência com maestria.
A trilogia: Mr. Vingança (Sympathy for Mr. Vengeance, 2002) , Oldboy (2003) e Lady Vingança (Sympathy for Lady Vengeance, 2005).

Hayao Miyazaki diretor japonês de animações que ultrapassam os limites do gênero. Recentemente lançou o filme Ponyo primeiro dele em parceria com a Disney. Indico: A Viagem de Chihiro (2001) e O Castelo Animado (2004).
Essa semana também assisti A Partida do diretor Yojiro Takita (ganhador do Oscas de filme estrangeiro esse ano).É um filme calmo de cenas comuns com uma história comovente. Um violoncelista fica sem emprego depois que a orquestra em que tocava se desfaz, então ele volta para sua cidade de origem e começa a trabalhar (escondido) em um serviço pouco convencional: ele prepara defuntos para o caixão em cerimônias que acontecem na presença dos familiares. É interessante pelo clima fúnebre que acompanha todo filme.



Por enquanto é só.


Escrito por Rafael Franco

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Yo La Tengo – Popular Songs (2009)

popular-songs-cover

Eu nunca fui um grande fã do Yo La Tengo, embora eu goste de várias músicas deles, e apesar de que gostaria de vê-los ao vivo, a banda possui um comportamento musical um pouco bipolar que causa divergências entre os ouvintes. Explicarei.

Nós podemos dividir as canções do trio em duas categorias: guitar-rock songs e ambient-electro-tecladinhos songs. De um lado, canções com melodias grudentas e a distorção e dissonância da guitarra de Ira Kaplan, e do outro, canções com belas melodias baseadas em tecladinhos e efeitos eletrônicos, com uma sonoridade meio ambient, que eu acho um saco.

O que eu mais gosto no Yo La Tengo é ouvir as canções pop atacadas pelas notas da guitarra distorcida, e os solos/freakouts de Ira Kaplan. Não tenho saco pra esses sonzinhos eletrônicos, pelo menos nao os deles.

Mas enfim, como o post é sobre o novo álbum dos ditos cujos, eu acho que é sobre isso que eu devo falar.

yolatengo

Os dito cujos

Primeira audição: hm, não sei se sou eu que não to no espírito, ou se não to prestando a devida atenção, é acho que não to mesmo, já tô na oitava faixa do album, “When it’s Dark”, e já esqueci de todas as músicas anteriores. Eu gosto de “Nothing to Hide”, porque eu vi um vídeo deles tocando ela num programa de tv francês… mas não me lembro como é a versão do álbum. Pois é né. Minha impressão até agora: boas melodias, como sempre, tudo muito bonitinho, e talvez agrade muitas pessoas, mas pra mim é algo facilmente dispensável. Não é ruim, só que depois que termina não há nada de marcante pra fica na minha cabeça. Faltam mais três faixas: “More Stars Than There Are In Heaven” com um pouco mais de 9 minutos e meio de duração, “The Fireside” com 11 minutos e meio, e “And The Glitter Is Gone” com 16 minutos. Pode ser que eles ainda me supreendam. Ou não.

Vamos ver…

hm…

“More Star blablabla” logo no início promete algo interessante, com uma guitarra com uma distorção de leve, tocando um riff reto e monótono, tipo Velvet Underground, e pela duração, hm, 9 minutos, deve ter algum tipo de clímax noise ou coisa assim…

Pois é, não tem, fazer o quê? próxima faixa!

“The Fireside”, 11 minutos e 25 segundos de música, começando com um violão emitindo alguns fraseados esparsos, soltos numa atmosfera construída talvez por um feedback de guitarra (?). e fica só nisso.

CARALHO! Finalmente, depois de quase uma hora de espera, a última faixa já começa com guitarreira ruidosa, trechos de dissonância e ruído se alternam com um pequeno fraseado melódico da guitarra de Kaplan, acompanhada de um tecladinho, claro. Não há nada o que falar, o cara sabe fazer barulho, e a cozinha composta por James McNew no baixo, e Georgia Hubley na bateria, segura a onda (wow- nunca pensei que ia usar essa expressão) com uma batida complexa e ao mesmo tempo cheia de groove (yo!). Tô pra dizer pra vocês que “And The Glitter Is Gone” é a melhor faixa do disco.

Microfonia, ruídos, sim, sim…

Tudo muito comportado, sim, mas mesmo assim…

Pena que não tem as melodias enterradas no meio disso tudo.

Segunda audição: hm, to ouvindo “Nothing to Hide” de novo, mas acho que não conta como segunda audição.

No final das contas, eu curti mesmo foi a quarta faixa, "Nothing to Hide”, e a última, mas não vo ter saco pra ouvir uma música de 15 minutos tão cedo. Minha opinião sobre o disco: Como eu já disse, talvez alguém possa curtir, mas eu achei muito chato. Prefiro ouvir o novo do Sonic Youth (“The Eternal”, pra quem não tá ligado, que saiu esse ano pela Matador também) ou até mesmo o novo dos Magik Markers, que apesar de deixar muito a desejar, tem umas boas faixas de Noise Rock.

Mas enfim, quem quiser baixar, é só clicar na capinha lá em cima. O disco vai sair só em setembro, pela Matador, mas ele já vazo na internet, e tá aí pra vocês.

E aqui vai o video que eu comentei que eu tinha visto, Yo La Tengo tocando num programa de tv francês, com direito a um solofreakout de guitarra. Porra, é isso o que eu curto nessa banda!










É isso por hoje, até mais.

(Post originalmente publicado no blog The Factory of Andy Warhol, e reciclado para o Pop Culture em decorrência da minha preguiça de escrever)


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Ontem eu fui na praia

Ontem fui à praia. Fazia tempo que não ia. Fiquei vermelho. Caminhei pela areia conversando com amigos. Voltei cansado e de certa forma revitalizado. Durante a semana vi vários filmes interessantes. Primeiro Repulsa ao Sexo (Repulsion, 1965) de Roman Polanski, que me agradou pela extrema proximidade da câmera com a personagem principal e pela atmosfera claustrofóbica-aterrorizante. Assisti também Veludo Azul (Blue Velvet, 1986) do David Lynch, é um dos filmes menos quebra-cabeça dele (tente assistir Império dos Sonhos ou Cidade dos Sonhos).Veludo Azul se desenrola partindo de cenas cotidianas de um bairro comum dos Estados Unidos, talvez um bairro perfeito demais. É aí que um velho sofre um ataque cardíaco e quando o filho dele está voltando do hospital, pelo campo, ele encontra uma orelha. E a partir daí se desenrola uma trama bizarra com toques surreais e clima noir. E revi Laranja Mecânica que dispensa comentários.
Mas não é sobre eles que vim falar. Estava em busca de um filme menos conhecido e resolvi falar sobre Um Dia De Cão (Dog Day Afternoon, 1975) um filme de Sidney Lumet que – no momento que escrevo isso ouço o cacarejar de uma galinha, olho pra rua e lá está uma pessoa passando de bicicleta com a galinha no colo – conta com Al Pacino o no papel principal.

A história é sobre três pessoas que entram em um banco e anunciam um assalto. Os três homens são principiantes e logo um deles desiste e vai embora. Os outros dois ficam e descobrem que há pouco dinheiro no cofre, o problema agora é sair dali sem ser pego pelos policias que já cercaram o prédio. O filme tinha tudo para ser tenso e dramático, mas pelo contrario, ele é engraçado e divertido. Tudo fica ainda mais legal quando se revela o motivo pelo qual o assalto é realizado. Al Pacino está ÍNCRIVEL nesse papel.


Nem sei por que resolvi falar sobre esse filme, a idéia era falar sobre Repulsa Ao Sexo. Sobre a fantástica Catherine Deneuve com seus 21 aninhos (na época) tendo alucinações sexuais, reprimida, apalpada por mãos que surgem das paredes.



O problema é que já falei sobre um filme do Roman Polanski por aqui e não queria ficar repetitivo. É que esses clássicos de horror exercem um fascínio particular sobre mim.O zoom nos olhos e mãos, os tiques nervoso, o preto e branco...

Ontem fui à praia, fazia tempo que não ia, fiquei feliz e queimado...

Escrito por Rafael Franco

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Milk ou Argento?

Tentei ver na terça-feira, não deu, eu estava com muito sono. Na quarta consegui ver a metade. Estou falando a respeito do filme ‘Milk’, que havia emprestado de minha amiga. Confesso que depois que vi a metade fiquei muito curioso para saber o desfecho. Logo no começo já acontecem cenas de beijo entre Sean Penn e James Franco. Ainda não sei por que a rede Globo (bobo bobo) não exibiu aquele beijo gay em uma certa novela que agora não recordo o nome (acho que foi em América). Para mim não há nada de mal nisso. Já nem acho que assunto cause tanta polêmica assim.
Fiquei animado com a luta de Harvey Milk que acreditava em sua causa e lutava com unhas e dentes para defendê-la. O que falta hoje no mundo é isso, essa coragem de ir atrás sem medo. De mostrar a cara sem medo. Não importa qual seja o seu problema, sempre há alguém passando por algo parecido, então mostre-o.
Só consegui acabar de ver o filme no sábado. Dia em que comprei ‘A mãe das Lágrimas: A Terceira Mãe’ (La Terza Madre) do cineasta Cult italiano Dario Argento. Nunca tinha ouvido falar do filme, fiquei curioso para ver algum filme dele, após ele ter sido citado em Juno e 3 reais não é muito dinheiro e achei que valia a pena arriscar.
O filme com certeza foi muito esperado, afinal Argento encerra sua trilogia sobre as três mães que começou com ‘Suspiria’, que é considerado uma das maiores obras-primas do terror de todos os tempos (eu não posso dizer nada porque ainda não vi). A continuação ‘Mansão do Inferno’ é considerada como o segundo maior êxito de Argento. O problema no fim da trilogia talvez tenha sido a pressão. Eu achei muito engraçado as cenas de morte no começo do filme. E estranhei a cena que o reverendo (acho que é reverendo mesmo, se não me engano) escreve uma carta, com diálogos fracos e ditando pra si mesmo em voz alta. Gostei muito do modo como foi filmado, os movimentos de câmera, os enquadramentos. Mas a história soa clichê (uma urna é encontrada, dentro há artefatos antigos, isso desperta os poderes de uma poderosa bruxa), e se não contada da maneira certa vira só mais um filme entre tantos outros que Hollywood nos empurra goela abaixo. A pior cena é quando a personagem principal interpretada por Asia Argento (filha de Dario Argento e também diretora) conversa com sua mãe morta, o espírito flutua a sua frente numa das cenas mais infantis que já vi. Talvez o grande mérito de Argento seja justamente esse, expor suas vontades e idéias com coragem e isso é raro nos dias de hoje. Valeu pelas risadas, pela nudez (desnecessária?) e pelo excesso de sangue – Tosqueira TOTAL!!!
Voltando ao Milk. Gus Vant Sant (o diretor que é homossexual assumido) conduz com maestria esse que é um dos mais populares entre seus projetos, que geralmente são cults. Concorreu a vários Oscars. A trama conta a história de um gay em São Francisco, que passa pela difícil fase dos 40 anos, onde o homem começa a ver que está velho, gerando a menopausa masculina como costumo chamar. Milk foi o primeiro homossexual assumido a concorrer a um cargo público como supervisor. E como esperado muitos foram contra, e ele com a ajuda de amigos conseguiu fazer uma mobilização enorme com gays de várias partes do país. A cena final, quando o Harvey Milk é assassinado, é poética. Isso mesmo, contei o final do filme hahahah Como o filme é baseado em fatos reais e logo no começo fica claro o que vai acontecer, eu não vi problema em contar.
Ainda quero ver os filmes antigos de Dario Argento, porque esse não me convenceu de seu talento.
Até a meia-hora atrás eu não sabia sobre o que escrever. Então resolvi falar sobre esses dois filmes que vi durante essa semana. Um é para refletir, e o outro para se divertir. Escolha o que o seu momento pede e boa sessão!

Escrito por Rafael Franco

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Grouper / Pumice – split (2009)

Hoje eu parei e comecei a procurar no meu computador por música que foi lançada esse ano, para escrever um texto aqui pro Pop Culture. Me deparo com esse split do Grouper com o Pumice. Dou play. E logo, a primeira coisa que me vem à cabeça é de como escrever sobre música é inútil. Tu pode escrever sobre o contexto social, a emoção, o artista, o seu processo de criação, mas nunca sobre a música em si. Porque música é música, não é letras. E no caso desses sons, não há como traduzi-los em palavras.

2 Grouper

De um lado, Grouper, o projeto musical de Liz Harris, de Portland, nos EUA. Ano passado ela lançou o álbum “Dragging a Dead Deer Up a Hill”, que figurou em algumas listas de melhores do ano, graças ao seu folk/drone delicado e assustador ao mesmo tempo. Assustador pois o uso de reverb na guitarra e nos vocais cria uma atmosfera densa, que se contrapõe às melodias e aos vocais delicados da gúria. Neste Split, lançado pela Soft Abuse, a faixa de Grouper, que corresponde ao lado A é “Rising Height”. “Altura crescente”, numa tradução livre de minha parte. O título já descreve a música. Começando de uma simples frase de violão, a voz surge, trazendo densidade à canção. Densidade essa que vai crescendo, à medida que se perde a noção de estrutura e tudo que fica é apenas uma massa de som fantasmagórica. Para ouvir com fones, ou muito alto.

Pumice1

Pumice

Já o lado B, com Pumice, o projeto do Neozelandês Steffan Geoffrey Neville, começa de um jeito diferente. Uma microfonia de alguns segundos, e a guitarra solta pequenas frases dissonantes, que logo interagem entre si, num belo arranjo, quando a voz de Steffan surge, lo-fi, quase ininteligível. Entre dissonância e eletricidade, a canção se desenrola, fazendo os 4 minutos e 51 segundos de música passarem rápido, terminando numa suspenção de notas, de microfonia. 

Um lançamento bem interessante, detalhe para as capas de cada lado do disquinho:

ladoa

 ladob 

Para baixar, clique aqui. Link tirado do blog experimental etc, blog muito bom sobre música experimental em geral.

É isso, mais reflexões sobre música e a existência semana que vem.

Bando de gayzin.